Terça-feira, Agosto 16, 2022

Luís Osório: O homem que ainda escreve bilhetes-postais

Catarina da Ponte

Nasceu a 15 de Setembro de 1971 em Lisboa. É habitualmente apresentado como escritor e jornalista, mas nunca se reviu neste último papel, mesmo quando dirigia jornais. Tem milhares de seguidores no Facebook, onde vai publicando os seus “postais do dia” sobre figuras e temas controversos da sociedade contemporânea com a frontalidade e humanidade que o caracterizam. A ele e à sua escrita. Desde Março que estes bilhetes-postais podem ser também ouvidos, de segunda a sexta-feira, no programa “Postal do dia”, da TSF.

É assumidamente um homem de Esquerda. Não chegou a terminar a sua licenciatura em História na Universidade Lusíada, primeiro por questões financeiras e depois por razões de compatibilidade de horário com o seu trabalho. É a prova de que o sucesso profissional não depende de um canudo, mas sim da matéria de que somos feitos.

Foi criado pela mãe, pela avó materna, Joaquina, a quem chegou a apelidar de “mulher da sua vida e a mais importante da sua vida” e pelas tias Cristina e Teresa (homossexuais, mas nas quais reconhece “a relação perfeita de casal”). É um homem de sincronicidades. O funeral da avó Joaquina celebrou-se no dia em que completou 29 anos. Foi neste dia, a 13 de Setembro de 2000, que deixou de responder pelo seu segundo nome, Miguel, e passou a ser o Luís, o Luís Osório que conhecemos hoje.

Começou a trabalhar relativamente cedo no universo televisivo. Aos 18 anos, ainda a terminar o 12.º, fez parte da equipa do programa juvenil da RTP “Lentes de Contacto” (1990). A partir daí o seu caminho passou sempre pela comunicação. Na imprensa escrita, dirigiu os jornais “A Capital”, entre 2004 e 2005, tornando-se o mais jovem director de sempre de um órgão de comunicação social em Portugal. Tinha 33 anos. Dirigiu, anos mais tarde, o jornal “i” (2014-2015) e o “Sol” (2015), onde já tinha sido colunista. Foi director de informação das rádios do Grupo Media Capital, entre as quais o Rádio Clube Português (2005-2009). Passou, ainda, por Jornais como “O Jornal”, que viria a dar origem à revista “Visão”, o “Diário de Notícias” o “DNA” (1997) e o “Expresso”. No jornalismo televisivo, foi comentador político na SIC e apresentou com Daniel Sampaio e Ana Drago o “Conversa Privada”, na RTP2, em 2000, e foi o entrevistador do programa documental “Portugal de…” (2010).

Foi, ainda, autor de programas vanguardistas que marcaram a história da televisão portuguesa como o “Zapping” e o “Portugalmente” (1998) e que lhe valeram três nomeações para os globos de ouro pela sua autoria. Neste último programa, tornou-se célebre a entrevista que realizou ao seu pai, José Manuel Osório – investigador do fado, militante comunista, seropositivo – na qual falaram sobre a experiência de se ser doente com SIDA numa altura em que este tema era tabu. Pelo caminho, participou em comissões governamentais, coordenou a comunicação política da campanha de Fernando Nobre à Presidência da República e realizou o documentário “A Casa”. Aos 35 anos apeteceu-lhe experimentar as artes do palco e encenou a peça “Vagabundos de Nós”, com texto de Daniel Sampaio, que esteve em cena no teatro Maria Matos, em Lisboa. Deixou o mundo das televisões e dos jornais para se tornar um Consultor Empresarial – ou um “Consultor de pessoas”, expressão que prefere, encontrando caminhos ao lado de quem comanda empresas – e para se dedicar à escrita, de livros e nas redes sociais. Em Maio do ano passado, lançou o seu 8.º livro, “Ficheiros Secretos – Histórias nunca contadas da política e da sociedade portuguesas” (Ed. Contraponto), onde revela mais de 50 segredos sobre grandes figuras da nossa história contemporânea, de Cunhal a Soares, de Balsemão a Cavaco, de Amália a Saramago. Este, sucedeu-se a “Mãe promete-me que lês” (Guerra & Paz, 2018) e a mais seis títulos publicados.

Ao longo da vida foi agraciado com vários prémios, nomeadamente o Gazeta Revelação e o Prémio Inovação Manuel Pinto Azevedo e chegou a ser nomeado, em 1998, como jornalista do ano pela Casa da Imprensa, pelos trabalhos no DNA, suplemento do DN. O jornal “Expresso” distinguiu-o como uma das 100 figuras vivas mais importantes da história da televisão portuguesa (2002).

Hoje, com 50 anos, além de uma legião de admiradores, ganhou também alguns inimigos pela franqueza e incómodo das suas palavras, mas o seu maior ganho continua a ser o seu exercício da liberdade, sobretudo de pensamento, e os postais do dia que vai escrevendo ao lado da Ana, sua mulher, e dos seus filhos André, Miguel, Afonso, Benedita e de Leonor e João (os dois últimos, filhos do coração).

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