Quinta-feira, Fevereiro 2, 2023

Duas notas e uma conclusão sobre 30 de janeiro

Bruno M. Melim, Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira

O único vencedor da noite foi o PS que se transformou neste ato eleitoral, numa espécie de “catch all party” à sua esquerda, conseguindo capitalizar um eleitorado muito para além do composto pelos portugueses que entendem o socialismo moderado como melhor forma de governo das sociedades. Não tenhamos dúvidas: houve muitos comunistas portugueses que seguiram o ensinamento de Cunhal: fecharam os olhos, taparam o símbolo e fizeram a cruz no Partido Socialista, com o único propósito de afastar a direita do poder. Esta convicção sedimenta-se perante a comparação entre na distribuição de mandatos pelos dois blocos “direita-esquerda” em 2022 e 2005: em 2005 a esquerda tradicional (PS, BE e CDU) somava 143 deputados ao passo que em 2022 soma “apenas” 130.

O resultado é interessante para a direita portuguesa. Se olharmos às maiorias de Cavaco Silva, estas foram conquistas à custa do centro-direita, diferentemente de Durão Barroso e Passos Coelho. Nesse sentido, há dois fatores que devem merecer a nossa reflexão: o primeiro é que em apenas dois anos, a direita cresceu usando formas de comunicar e ideias mais agressivas do que lhe costumavam ser conhecidas em Portugal; o segundo é que, ainda assim, a soma da votação do CHEGA e da Iniciativa Liberal são, exatamente, o mesmo número de votos que o CDS teve em 2011, quando formou governo com o PSD. Ou seja, cumpre dizer que não foi pela dispersão dos votos à direita do PSD que este não venceu as eleições. Pelo contrário. O PSD não venceu porque fez precisamente o inverso do PS. Quis segmentar-se perdendo a sua vocação maioritária do espaço não-socialista em Portugal.

Das últimas eleições retira-se uma conclusão clara: dificilmente, após estas eleições, o panorama político português será igual àquilo que alguma vez foi. Interessante será perceber como é que as dinâmicas esdrúxulas que concretizaram uma estabilidade política que poucos adivinhavam, afetarão o futuro dos partidos em Portugal, nomeadamente o do PSD.

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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