Sexta-feira, Maio 20, 2022

Crescer votando

Ricardo David Lopes, Prémio

No próximo mês de Agosto, os angolanos vão às urnas, para escolher os deputados que os irão representar nos próximos cinco anos, e assim o Presidente da República, o líder do partido mais votado.

Uma eleição é sempre importante e determinante – e mais ainda quando está em causa a escolha de um Chefe de Estado e de Governo. É através desse acto que os cidadãos de um país decidem a quem confiar o exercício do poder e da gestão dos destinos da Nação, mas a quem é igualmente delegada a defesa e garantia de usufruto dos seus direitos, por um determinado período.

Nos países democráticos, com várias forças políticas, que têm diagnósticos do presente diferentes e visões distintas do futuro e dos caminhos a seguir para concretizá-lo, os actos eleitorais são sempre saudavelmente antecedidos, mesmo antes da campanha eleitoral, de debates acesos no espaço público, às vezes inflamados, opondo ideias e diagnósticos, objectivos e abordagens, métodos e escolhas.

O debate pré-eleitoral em Angola está já lançado, como temos vindo a assistir, e vai, naturalmente, “animando” à medida que se aproximar o “Dia D”, num exercício de democracia que todos os angolanos desejam e acarinham.

Será também com base neste debate de ideias e de escolhas que os eleitores vão decidir quem os vai representar até às eleições gerais de 2027.

Vale a pena, hoje, reflectir sobre o que mudou face ao cenário de 2017, no que diz respeito a factores que são importantes na forma como os eleitores são informados e envolvidos no debate político.

Há, desde logo, mais participação da sociedade civil. A sociedade civil angolana está mais forte e organizada do que há cinco anos, com novos movimentos, causas e rostos nos ‘media’ e no debate público. Reflecte um reforço da maturidade social e democrática, contribuindo positivamente para o debate e esclarecimento públicos.

Também a disputa política está mais acesa. Poucas vezes a arena política angolana esteve tão disputada como hoje, com os partidos da oposição reforçarem as suas críticas à governação e a procurarem formas de, em conjunto, poderem vir a ser uma alternativa de poder face à força política que tem sido escolhida pelos angolanos nas eleições anteriores.

A oposição está mais organizada, mais agressiva e ganhou espaço nos ‘media’, o que também permite aos eleitores perceber melhor que diferenças poderá trazer se vencer o escrutínio de Agosto.

Isto, num contexto sócio-económico complexo. As eleições deste ano ocorrem num cenário delicado do ponto de vista económico e social. A pandemia de Covid-19 veio criar uma enorme pressão sobre as empresas e as famílias, mas também sobre as contas públicas. O desemprego tem aumentado, os sistemas de saúde e de suporte social enfrentam um enorme desafio, e a contestação nas ruas, naturalmente, vai crescendo, como um pouco por todo o mundo.

Os angolanos são hoje mais exigentes e esperam mais de quem governa. Estão mais informados, mais integrados, mais maduros do ponto de vista da defesa da democracia, sabem o que querem e o que não querem.

Estão mais atentos ao discurso dos políticos, mais envolvidos no debate necessário e imprescindível que se faz em democracia, com serenidade, verdade e respeito pelo próximo, mesmo que pense diferente, sem demagogias ou promessas vãs.

Os dados estão lançados para uma pré-campanha e uma campanha históricas.

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