Domingo, Fevereiro 25, 2024

“A minha ligação ao Fado de Coimbra terá seguramente a minha idade”

Nuno Encarnação, Ex-Deputado do PSD

Desde criança que me recordo, de acordar aos domingos de manhã na nossa casa em Coimbra, ao som dos discos de vinil que o meu pai colocava a tocar. Eram invariavelmente discos de Fado de Coimbra, álbuns do Luiz Goes que giravam vezes sem conta semana após semana. Não tardei a decorar todas as letras, a memorizar as pausas e os tempos de cada uma das suas canções. A par dos álbuns deste enorme cantor, ouvia ainda as guitarradas de António Portugal, de Artur e Carlos Paredes e outros tantos temas clássicos de Coimbra.

Aos 7 anos, decidi frequentar as aulas de Guitarra de Coimbra no Chiado, mas a experiência não foi bem sucedida. Anos mais tarde, aprendi a tocar viola para acompanhar Fado de Coimbra e algumas guitarradas que se tocavam nas tertúlias noturnas de Coimbra.

Aos 15 anos, formava o meu primeiro grupo de Fados de Coimbra com alguns amigos do liceu. Aos 17 anos entrei, em Engenharia Eletrotécnica em Coimbra, e no final desse primeiro ano, integrei o Grupo de Fados Capas Negras (ao qual ainda hoje pertenço), juntamente com o António José Moreira na Guitarra e o Luís Alvelos e o Eduardo Filipe no canto.

Optei por fazer toda a minha vida académica em Coimbra, na Universidade da minha Cidade, porque era ali que o Fado de Coimbra “residia” e eu jamais abdicaria de o ter tão próximo.

Terei feito cerca de 600 atuações, enquanto viola do Grupo de Fados Capas Negras e em diversas atuações com outros Grupos de Coimbra enquanto músico convidado. Fiz viagens de norte a sul, conheci cada recanto de Portugal, fiz digressões pelo estrangeiro, participei em diversos programas de televisão e de rádio, gravando ainda três cd´s.

Tive ainda a felicidade de tocar e aprender com vários mestres do Fado de Coimbra. Recordo com saudade o convívio e as atuações que tive com António Portugal, António Bernardino, Luiz Goes ou Durval Moreirinhas, entre tantos outros.

Os ensaios eram momentos de convívio, mas locais de exigente trabalho com os demais músicos.

As atuações eram momentos de grande entrega, de grande exigência e rigor, sempre com o propósito de partilhar parte da cultura musical da nossa cidade de Coimbra.

A Sé Velha em Coimbra, acolhia as Serenatas das Queimas das Fitas de Coimbra. Aquele, sempre foi o palco maior do Fado de Coimbra. Recordo que preparávamos durante dias a fio, em absolutas maratonas de ensaios, as peças mais difíceis que nos lembrávamos de levar. O respeito por aquele “palco” assim nos obrigava.

O Fado de Coimbra e a canção de Coimbra, sempre teve um papel maior na cultura do nosso País. Se no início muito cantou os amores de um homem por uma mulher, noutras fases, deu origem a vários e importantes poemas e músicas de intervenção. As letras de Manuel Alegre, Adriano Correia de Oliveira ou Zeca Afonso foram provavelmente as mais conhecidas e as mais eficazes nas mensagens que estes géneros musicais nunca abdicaram de passar.

É com gosto que recordo e partilho a minha vida na música, nesta vossa publicação. 

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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