Sexta-feira, Julho 1, 2022

Caminho a zero

Alejandro Zaccour, Embaixador da Colômbia em Portugal

Nas discussões sobre aquecimento global, a expressão mais repetida e consensual é a de que “não há planeta B”. Esta afirmação, séria, tem sido o “leitmotiv” do governo colombiano, liderado pelo Presidente Iván Duque que, na última Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, anunciou a sua Estratégia Climática de Longo Prazo para a Colômbia – “E2050”.

Iván Duque soube interpretar o espírito e metas do Acordo de Paris, tomando ações que visam a sua materialização. Hoje, o combate ao aquecimento global na Colômbia é mais do que palavras, são medidas concretas com impacto à escala global. Aqui, convém notar que a Colômbia é um dos três países com maior biodiversidade do planeta, detém parte da Amazónia e conta com dois oceanos: Atlântico e Pacífico.

As metas do Presidente Iván Duque são claras e desafiantes: alcançar a neutralidade carbónica até 2050, reduzir a emissão de gases com efeito de estufa em 51%, acelerar a transição energética do país e promover o hidrogénio verde e azul como fontes de energia dos meios de transporte, cuja regulamentação já está em curso e prevê-se, a curto prazo, implementar projetos piloto.

No que concerne à transição energética, vale a pena salientar que Portugal tem sido um parceiro estratégico e o setor privado que opera nas renováveis tem respondido às metas do governo colombiano. Neste mandato foi possível superar os 3.000 megawatts de potência instalada e, no curto prazo, alcançaremos os 10.000 MW.

Mas não só. O governo tem-se empenhado igualmente no combate à desflorestação, à exploração mineira ilegal e na eliminação de zonas de cultivos de uso ilícito. Até dezembro de 2021, com o apoio das Forças Armadas, foram plantadas mais de 120 milhões de árvores autóctones e a meta é alcançar os 180 milhões em agosto deste ano. Uma mobilização em prol do meio ambiente, sem precedentes.

O desenho e implementação destas políticas colocaram a Colômbia como país líder em estratégias de longo prazo. Estas, beneficiam o meio ambiente e o planeta, estimulam o empreendedorismo e melhoram a economia, como bem salientou, a este propósito, o Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Mauricio Claver-Carone.

Neste contexto, o Presidente Iván Duque participou, também, no “One Ocean Summit” organizado pelo governo francês, em Brest, no qual anunciou que 30% do território marítimo colombiano será declarado reserva marinha.

Numa iniciativa conjunta com os governos do Equador, Costa Rica e Panamá, foi possível criar a maior área marinha protegida do mundo, cujo objetivo, como frisou o Presidente, é “a conservação inequívoca dos recursos naturais que pertencem a todos os colombianos e à Humanidade” e “garantir a sobrevivência de mais de 40% das espécies marinhas em todo o mundo”. Um esforço que é de todos e que depende do trabalho em equipa de mais de 50 países, conforme foi acordado na Aliança Mundial 30×30.

Hoje, podemos afirmar que as áreas protegidas na Colômbia, tanto marítimas como terrestres, duplicaram. São uma realidade.

O Presidente Iván Duque chegará brevemente a Lisboa para participar na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos, coorganizada por Portugal, Quénia e ONU. Será uma excelente oportunidade para refletir e definir novas metas e ações concretas na luta pela preservação do nosso planeta e garantir um futuro sustentável, rumo às zero emissões.

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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