Domingo, Fevereiro 25, 2024

Floene: 175 anos a transformar energia em Portugal

Ricardo Lopes

A crise energética gerada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, em especial o seu impacto sobre a segurança de abastecimento e sobre os preços do gás natural, tornou mais óbvia e premente a necessidade de a Europa acelerar a sua transição energética, apostando em fontes renováveis e competitivas de energia. Portugal tem liderado na procura de soluções alternativas, com vários projectos ligados ao hidrogénio verde. A Floene, que opera a maior rede de distribuição de gás natural em Portugal, também abraçou o desafio da descarbonização através dos gases renováveis e já desenvolveu um piloto, no Seixal, de hidrogénio verde. Mas o biometano, defende o CEO da companhia, Gabriel Sousa, pode, no muito curto prazo, trazer ganhos importantes ao sistema energético e aos portugueses.

A introdução de gases renováveis na rede de gás natural é hoje o principal desafio da Floene, que há mais de 175 transforma energias em Portugal, desde a introdução, em 1847, dos primeiros candeeiros a gás para iluminação pública em Lisboa, pela Companhia Lisbonense de Iluminação a Gás. A companhia, que em Outubro do ano passado assumiu novo nome e nova marca, substituindo a GGND, tem hoje a mais moderna rede de polietileno da Europa, com cerca de 12 mil km, chegando a mais de 1,1 milhões de clientes através das suas nove distribuidoras regionais (ver caixa). Em breve, o biometano e o hidrogénio deverão protagonizar a nova transformação energética que a empresa está a operar. A modernidade da rede de gás natural, que foi das últimas a ser construída na Europa, explica o CEO, Gabriel Sousa, “permite acelerar” o processo de introdução de biometano (e de hidrogénio), gases renováveis com os quais a Floene quer contribuir para descarbonizar consumos e a economia em geral, tornando-a menos dependente de recursos que o país não controla, e aportando assim mais segurança de abastecimento ao próprio país.Países como França, Alemanha ou Dinamarca estão já mais avançados na injecção de biometano nas suas redes de gás, através de acordos com vários produtores, reduzindo significativamente as emissões e descarbonizando as suas infra-estruturas. Em Portugal, lembra Gabriel Sousa, há vários ‘players’ a produzir biogás, nomeadamente a partir de resíduos urbanos ou agro-pecuários, e o ‘upgrade’ destes gases para biometano é um processo simples, pelo que a sua captura e posterior injecção na rede podem ser feitos rapidamente.

Biometano à vista

Os gases renováveis – em especial, o biometano -, reforça Gabriel Sousa, podem ser um recurso para acelerar o cumprimento das metas ambientais e energéticas, tornando o país mais competitivo e menos dependente de fontes de energia cujos preços estão sujeitos a fortes flutuações – e que são finitas. Gabriel Sousa vê com bons olhos o facto de estar em preparação, pelo Governo, de uma Estratégia Nacional do Biometano – para o hidrogénio verde, já existe -, que deverá permitir acelerar a introdução deste gás (quimicamente igual ao gás natural) na rede, sem que seja necessário proceder a alterações na sua estrutura ou nos equipamentos dos clientes, e cumprindo a chamada economia circular. Promover a introdução de gases renováveis é “um vector estratégico da Floene”, para a criação de um sistema energético mais equilibrado, afirma Gabriel Sousa. Em Julho de 2022, a Floene, com um parceiro produtor e outros tecnológicos, deu início a um projecto-piloto de hidrogénio verde no Seixal – o Green Pippeline Project. Em recente entrevista ao programa “Tudo é Economia”, da RTP, Gabriel Sousa deu nota do “sucesso” dos testes, que passaram pela mistura de 2 a 5% de hidrogénio no gás, sendo a meta 20%, a dois anos. Há um troço da rede com 100% de hidrogénio, até à mistura com gás natural, e os equipamentos, como esquentadores, entre outros, mostraram estar preparados para a mistura de até 5% já feita, garante. A Floene prevê que no segundo semestre deste ano haja novos projectos de hidrogénio noutras zonas do país, mas o CEO reforça a importância de Portugal abraçar o biometano como fonte mais imediata.

HISTÓRIA LONGA, FOCO NO FUTURO

A Floene apresentou-se ao mercado em Outubro de 2022, mas a empresa, até então conhecida por GGND, faz, há muito, parte da dia-a-dia de milhões de portugueses. Em 1847, a então Companhia Lisbonense de Iluminação e Gás, por concessão da Câmara de Lisboa, introduziu os primeiros candeeiros a gás na cidade. Mas esta foi a primeira das revoluções energéticas da companhia, que, mudou de nome e imagem na sequência da compra, em 2021, pela Allianz Capital Partners, de 75,01% dos 77,5% que a Galp Energia detinha.Em 1997, deu início à distribuição generalizada de gás natural, em 1999-2002, conduziu a mudança de gás de cidade para gás natural na região de Lisboa (Lisboa, Oeiras, Amadora e Loures), levou a rede de gás a Chaves e Faro e opera actualmente nove distribuidoras regionais de gás natural em mais de 100 concelhos (Lisboagás, Lusitaniagás, Setgás, Tagusgás, Beiragás, Duriensegás, Medigás, Dianagás e Paxgás).

Na apresentação da nova marca, o CEO, Gabriel Sousa, destacou que a mudança vinha reforçar “o compromisso, partilhado pelo novo accionista, da empresa na transição energética, contribuindo para a descarbonização das redes de gás, maioritariamente através da aposta nos gases renováveis, como o biometano e o hidrogénio”.

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