Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Países em Foco no Ano de 2017 e 2018

BREVES

ALGUNS DOS PAÍSES EM FOCO NO ANO DE 2017, E QUE CONTINUARÃO A MARCAR A AGENDA EM 2018

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

O ano de Donald Trump

Com pouco mais de um ano cumprido do seu mandato, a eleição de Donald J. Trump foi um dos grandes acontecimentos do ano de 2017 e marcou a vida política não só dos EUA mas um pouco por todo o mundo. Apesar de mudanças significativas, nomeadamente ao nível da relação com a Rússia, a gestão do Médio Oriente e da Ásia, com a Síria e a Coreia do Norte à cabeça, a verdade é que mudou significativamente menos do que se pensava, sobretudo tendo em conta o conjunto de medidas chave do seu programa eleitoral e com base nas quais conseguiu, contra todas as probabilidades, ser eleito o 45º Presidente dos EUA. Entre os maiores fracassos podem contar-se o muro que iria separar os EUA do México, o combate ao terrorismo e o fim do ObamaCare. Entre os sucessos registo para os sucessivos recordes que têm sido batidos pelo sistema financeiro, com particular destaque para as empresas do sector tecnológico.

COREIA DO NORTE E COREIA DO SUL

Aumento da tensão nuclear e o impacto no mundo 

A escalação das tensão entre as Coreias está a deixar a diplomacia à beira de um ataque de nervos, uma vez que se tratam de potências nucleares e dividem no tabuleiro as três mais influentes potências do mundo: EUA, China e Rússia. Donald Trump fez saber que não aceita que a Coreia do Norte continue os ensaios militares, responsabilizando Pyong- -Yang por uma eventual escalada no conflito no qual não exclui a participação militar dos EUA, Putin, por intermédio de Sergei Ryabkov, vice-ministro para as Relações Estrangeiras da Rússia, diz mesmo que a alternativa a um diálogo multilateral é a escalada do conflito, com consequências que considerou “catastróficas”.

CHINA

O milagre da economia chinesa continua 

A China continua a desbravar caminhos na economia mundial, tendo aumentado significativamente a sua influência em todos os continentes, com destaque para África e Europa, destinos de eleição dos seus investimentos. Internamente capaz de manter a sua coesão política, económica e social, o gigante asiático dá cartas em todos os sectores da economia, com destaque para o sector financeiro, o retalho e a construção civil.
A reestruturação económica em curso, a modernização industrial, capaz de valorizar o produto da sua produção, e a limitação do papel das empresas públicas nos sectores chave da economia são os desafios para os próximos tempos.

VENEZUELA

O novo barril de pólvora da América do Sul

Depois de quase duas décadas de poder “bolivariano”, primeiro com Hugo Chávez depois com Nicolás Maduro, a Venezuela afundou-se numa profunda crise económica, que, a par da contestação ao governo, tem conduzido o país para o limiar da guerra civil. A incapacidade de aplicar no país os proveitos da indústria petrolífera, de diversificar a economia, um desemprego galopante, a fuga de divisas e as dificuldades ao nível do abastecimento e uma estrutura produtiva frágil, fazem da Venezuela um país economicamente à beira da ruptura e politicamente cada vez mais isolado. A mais recente disputa eleitoral destinada a aprovar o reforço do governo foi contestada pela oposição e a generalidade da comunidade internacional, reforçou o poder de Maduro mas, simultaneamente, radicalizou quem a ele se opõe.

BRASIL

A caminho das presidenciais

Da esquerda à direita, mais ou menos veladamente, as contradições e as tensões que se avolumaram no Brasil nos últimos meses só devem ter fim à vista com as próximas eleições presidenciais, agendadas para 2018. Com o país dividido entre os apoiantes do PT, Lula da Silva e Dilma Rousseff e os apoiantes do ‘impeachment’ que lhes retirou o poder, Michel Temer lidera um governo com baixa popularidade e com pouca margem para poder levar a cabo grandes reformas. Depois de um autêntico milagre económico operado nos últimos vinte anos, o desgaste do PT e os sucessivos escândalos de corrupção, o Brasil está agora na expectativa para que, ou com a reeleição do PT ou com a eleição de um novo sujeito político, o país encontre caminho para regressar ao crescimento e à consolidação da sua economia como a principal economia do continente sul americano.

REINO UNIDO

E depois do Brexit?

Em tempo de balanço, a verdade é que pouco do que se achava que o Brexit implicaria se tem verificado, mostrando que o Reino Unido, em boa medida por vontade própria, prefere manter boa parte do que o mantém unificado ao sistema europeu. Apesar do aumento das restrições para cidadãos não europeus a verdade é que as fronteiras continuam abertas para pessoas e cargas oriundas da Europa, os cidadãos europeus mantém os seus direitos no território e continuam a estar sob a jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça.

CABO VERDE

A mais madura democracia africana

Cabo Verde tem vindo, paulatinamente, a crescer e a consolidar-se como um dos países mais estáveis de África, com uma democracia madura e com baixa conflituosidade social, com a economia a crescer, sobretudo no turismo, fruto do investimento estrangeiro e da capacidade do país captar o turismo de massas que passou a preferir o arquipélago a destinos que entretanto se tornaram menos atractivos, como o Egipto ou a Tunísia. É ainda um país com desafios para debelar. Capacidade de fixar a sua população, sobretudo a mais especializada e com mais formação, capacidade de diversificar a sua economia, muito dependente ainda das ajudas ao desenvolvimento, das divisas enviadas pela diáspora e do turismo e a capacidade de atenuar as desigualdades sociais. Contudo, os especialistas são unânimes em considerar Cabo Verde o país que no seu contexto regional mais condições tem para lograr atingir os seus objectivos e manter-se na senda da paz e do desenvolvimento.

RÚSSIA

O despertar do urso 

A Rússia sobrevoou a crise económica de 2008 como quase nenhum outro país, com uma performance apenas superada pela China, com índices económicos e financeiros que a catapultaram para a liderança da economia mundial. O sucesso russo, sendo verdade que foi muito ancorado na indústria petrolífera, também é verdade que ele hoje é muito superior a esse sector, sendo que a força económica do país deu também peso político ao seu governo, liderado por Putin, para jogar mais alto na arena internacional. É preciso lembrar que no virar do milénio os cofres russos estavam dilacerados ao ponto de Moscovo ter sido obrigado a renegociar o pagamento da dívida externa e a desvalorizar o rublo. Partindo de uma posição muito desfavorável, a Rússia conseguiu fazer crescer o seu Produto Interno Bruto e, não obstante as críticas ao autoritarismo de Putin, a verdade é que o país não só se colocou entre os mais poderosos como parece ter superado as tensões independentistas que tinha em vários pontos da sua fronteira, com a Tchetchénia à cabeça dessas tensões.

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