Segunda-feira, Maio 10, 2021

Europa: Liderança no Feminino

Ana Valado

A questão da igualdade de género está na ordem do dia e é, actualmente, um dos grandes desafios com que as organizações se deparam.

Apesar de ainda existir um longo percurso a percorrer, a Europa parece estar no bom caminho. Embora continuem a estar sub-representadas no processo de tomada de decisão, o número de mulheres em posições de liderança nos governos e nas organizações internacionais tem aumentado nos últimos anos. Angela Merkel, Christine Lagarde ou Ursula von der Leyen não são excepções.

Na lista das 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo, pela revista Forbes, estas três mulheres ocupam a primeira, segunda e quarta posição, respectivamente.

Com um período de 15 anos de governo, a chanceler alemã Angela Merkel tem estado entre as líderes femininas que mantiveram a sua posição de líder por um período mais longo.

A francesa Christine Lagarde foi nomeada para a presidência do Banco Central Europeu em 1 de Novembro de 2019, sendo a primeira mulher presidente do Banco desde a sua fundação em 1998.

A também alemã Ursula von der Leyen foi nomeada presidente da Comissão Europeia em Dezembro de 2019, tornando-se a primeira mulher presidente do Conselho.

Em destaque na liderança feminina estão ainda a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, que assumiu recentemente a liderança da Organização Mundial do Comércio (OMC) e é a primeira mulher e a primeira africana neste cargo, a Comissária Europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, e a búlgara Kristalina Georgieva, a primeira pessoa de um país emergente a liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI).

À frente dos Governos é no norte da Europa que se encontram mais mulheres ao poder. Países como a Finlândia, Dinamarca, Estónia, Lituânia, Noruega e Islândia têm Senhoras Primeiras-Ministras.

Também na Escócia, Nicola Sturgeon assume a função de primeira-ministra do país desde Novembro de 2014, sendo a primeira mulher a assumir este cargo.

Todas elas são mulheres determinadas, de pulso firme e que querem garantir a participação feminina no poder democrático e a igualdade de oportunidades na liderança, em todos os níveis de tomada de decisão.

Nas páginas seguintes, a PRÉMIO traça um breve perfil das Mulheres que comandam os destinos na Europa, mostrando que o mais difícil é conseguir a primeira posição no topo de uma organização, depois ninguém as pára.

ANGELA MERKEL
CHANCELER DA ALEMANHA

Angela Merkel foi eleita pelo 10.º ano consecutivo a mulher mais poderosa do mundo no ‘ranking’ elaborado anualmente pela revista Forbes.

Com 66 anos, casada, nasceu em Hamburgo, Alemanha Ocidental, mas com poucos meses mudou-se com a família para Templin, uma região no leste do país, crescendo sob o regime comunista da Alemanha Oriental.

Merkel é licenciada em física e doutorada em física quântica, o que terá contribuído para a sua visão pragmática e estratégica de temas importantes.

Chegou ao Bundestag, o parlamento alemão, em 1990. Oito anos depois foi secretária-geral da União Democrata-Cristã (CDU) e, em 2005, eleita chanceler da Alemanha, tornando-se a primeira mulher a liderar o governo alemão, encontrando-se actualmente a cumprir o seu quarto mandado.

Durante quase 16 anos no cargo, a chefe de governo alemã enfrentou uma crise financeira a nível global em 2008, as ameaças de dissolução da União Europeia, a grande onda migratória na Europa em 2015 e, recentemente, a pandemia de Covid-19.

Quando em 2008, a crise económico-financeira se instalou a nível mundial, Angela Merkel foi a principal defensora e engenheira do plano da recuperação e das políticas de ajuda aos diferentes países da UE, solidificando a sua imagem como uma das principais líderes mundiais.

EM NOVEMBRO DE 2018, MERKEL
RENUNCIOU AO CARGO DE LÍDER DA
UNIÃO DEMOCRATA CRISTÃ E ANUNCIOU
QUE NÃO SE IRIA RECANDIDATAR A OUTRO MANDATO
COMO CHANCELER EM 2021

O ano de 2015 foi um dos mais marcantes da governação de Merkel, marcado pela entrada de mais de um milhão de refugiados na Alemanha, na sua maioria provenientes da Síria, Afeganistão e Iraque. Para dar resposta, a chanceler alemã alterou as leis migratórias da Alemanha, adoptando uma política de portas abertas.

A gestão da actual crise provocada pela pandemia de covid-19 é também vista com pontuação positiva no mandato da líder alemã, destacando-se a rapidez e flexibilidade de Merkel a tomar decisões, mesmo sendo difícil conseguir o acordo de todos os dezasseis estados federados.

Em Novembro de 2018, Merkel renunciou ao cargo de líder da União Democrata Cristã e anunciou que não se iria recandidatar a outro mandato como chanceler em 2021.

Apesar de ao longo dos quase 16 anos de mandato a sua imagem política ter evoluído, Merkel ficará conhecida para a história como a líder de saia-casaco, mãos em triângulo e discurso claro e conciso. Os que a conhecem falam de um particular sentido de humor, apesar da sua imagem de política austera e implacável.

CHRISTINE LAGARDE
PRESIDENTE DO BCE

Christine Lagarde é a actual Presidente do Banco Central Europeu (BCE), tendo sido a primeira mulher a assumir esta função, depois de ter sido também a primeira mulher na liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) em 2011.

Presidente do Banco Central Europeu desde Novembro de 2019, sucedendo a Mario Draghi, Lagarde é considerada a segunda mulher mais poderosa do mundo, de acordo com o ‘ranking’ da revista Forbes, pelo segundo ano consecutivo.

Nasceu em Paris a 1956. É divorciada e tem dois filhos. Formou-se em Direito na Universidade de Paris e tirou um mestrado em Ciência Política em Aix-en-Provence, no sul da França.

Começou a exercer advocacia em 1981 no escritório internacional de advogados Baker & McKenzie, no qual trabalhou como especialista em questões laborais, de concorrência e fusões e aquisições. Com o tempo foi subindo na hierarquia do escritório de advogados e 1995 entrou no Conselho Executivo, tornando-se, quatro anos depois, a primeira presidente mulher do Baker & Mckenzie.

Christine Lagarde iniciou uma carreira política entre 2005 e 2011, tendo sido ministra do governo francês nas áreas de Comércio Exterior, Finanças, Indústria, Agricultura e Pesca e Emprego.

LAGARDE É CONSIDERADA A SEGUNDA
MULHER MAIS PODEROSA DO MUNDO,
DE ACORDO COM O ‘RANKING’ DA
REVISTA FORBES, PELO SEGUNDO ANO
CONSECUTIVO

Em 2009, o diário Financial Times considerou-a a melhor ministra das Finanças na Europa. Na pasta das Finanças presidiu ao Ecofin no segundo semestre de 2008 e depois ao G20 durante a presidência francesa, em 2011.

Após seis anos em cargos do estado, Christine tornou-se, em 2011, directora geral do FMI, tendo como principal desafio reverter a instabilidade que a crise económica da Europa causava na época. No final do seu primeiro mandato de cinco anos no FMI, após ter actuado na primeira linha de gestão da crise da dívida na zona euro, foi reeleita por consenso para um segundo mandato.

Com uma presença inconfundível, com um discurso assertivo e um estilo distinto e elegante, Lagarde é reconhecida pela capacidade de gerar consensos políticos, pensar “fora da caixa” e influenciar quem a rodeia, algo que provou enquanto líder do FMI.

Como responsável pela política monetária da Zona Euro, Christine Lagarde está preocupada com a retoma económica da Europa, na sequência da mais recente vaga de pandemia de Covid-19.

URSULA VON DER LEYEN
PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA

Belga, poliglota, formada em medicina, mãe de sete filhos e pró-europeia. Ursula von der Leyen foi nomeda presidente da Comissão Europeia em 2019 para um mandato que terminará em 2024.

A sucessora de Jean-Claude Juncker na liderança da Comissão Europeia é também ela a primeira mulher nomeada para este cargo, ocupando a 4.º posição no ‘ranking’ das mulheres mais poderosas do mundo pela revista Forbes.

Ursula von der Leyen, 63 anos, nasceu na capital belga. Licenciou-se em Medicina em 1980, depois de ter desistido do curso de Economia.

Mas a política sempre lhe esteve no sangue, por influência do pai, político, e no ano 2000 foi eleita representante do Partido Democrata-Cristão (CDU) na assembleia da região de Hanover.

Serviu no governo federal alemão entre 2005 e 2019, tendo sido o membro que mais exerceu funções no governo de Merkel, foi ministra dos Assuntos Familiares e da Juventude (2005-2009), ministra do Trabalho e dos Assuntos Sociais (2009-2013) e a primeira mulher a ocupar o cargo de ministra da Defesa (2013-2019).

URSULA VON DER LEYEN ANUNCIOU QUE
UMA PARTE DO FUNDO DE RECUPERAÇÃO
CRIADO PARA COLMATAR AS
CONSEQUÊNCIAS ECONÓMICAS DA CRISE
GERADA PELA PANDEMIA DE COVID-19, O
CHAMADO “NEXT GENERATION EU”

Além disso, é vice-presidente do Partido Democrata-Cristão (CDU) desde 2010, e membro do Partido Popular Europeu. Foi vista durante muitos anos como a possível sucessora de Merkel.

A Presidente da Comissão Europeia destaca a luta contra as alterações climáticas, a digitalização da economia e a estabilidade como bandeiras para o seu mandato.

Com a área ambiental como uma das suas prioridades, Ursula von der Leyen anunciou que uma parte do Fundo de Recuperação criado para colmatar as consequências económicas da crise gerada pela pandemia de Covid-19, o chamado “Next Generation EU”, será alocada à emissão de obrigações verdes.

Uma outra parcela desta verba será destinada à inovação digital, destacando que durante o confinamento devido aos meios tecnológicos passámos por mais transformações digitais do que o normal em anos.

NGOZI OKONJO-IWEALA
DIRECTORA-GERAL DA OMC

A ex-ministra das Finanças nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala tornou-se recentemente a primeira mulher e a primeira africana a assumir a direcção-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), sucedendo ao brasileiro Roberto Azevêdo, que deixou o cargo em Agosto.

Okonjo-Iweala tem 66 anos, é licenciada em Economia pela universidade de Harvard e especializada em Finanças Públicas. Foi diretora de operações do Banco Mundial, onde trabalhou 25 anos como economista na área do desenvolvimento, e onde se chegou a candidatar à presidência em 2012. Para além disto, foi primeira mulher a comandar o ministério das Finanças da Nigéria, cargo que ocupou por duas vezes (2003 a 2006 e 2011 a 2015). Em 2006 foi também ministra dos Negócios Estrangeiros.

A economista assumiu funções no dia 1 de Março, para um mandato até 31 de Agosto de 2025. Embora sejam vários os desafios que vai ter em mãos, como a tensão entre os Estados Unidos e a China, os diferendos comerciais entre os Estados Unidos e a Europa, a reforma da organização e a recuperação da economia global, a sua maior preocupação no imediato é trabalhar com os membros da OMC para enfrentar a consequências económicas e sanitárias provocadas pela pandemia.

NGOZI OKONJO-IWEALA TORNOU-SE
RECENTEMENTE A PRIMEIRA MULHER
E A PRIMEIRA AFRICANA A ASSUMIR A
DIRECÇÃO-GERAL DA ORGANIZAÇÃO
MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC)

Ngozi Okonjo-Iweala liderava a Aliança Global para as Vacinas (GAVI) até 31 de Dezembro do ano passado, cujo objectivo é assegurar que os países em desenvolvimento tenham o necessário acesso às vacinas contra a Covid-19. Além disso, foi enviada especial da União Africana para mobilizar apoio financeiro internacional na luta contra a pandemia e enviada especial da Organização Mundial de Saúde para a iniciativa “ACT Accelerator”, que procura o acesso global ao desenvolvimento de tratamentos, diagnósticos e formas de prevenção da Covid-19.

Na sua opinião, e conforme explicou na revista americana Foreign Affairs do mês de Abril: “Uma forma de garantir uma oferta suficiente de vacinas e sua distribuição equitativa é remover algumas barreiras impostas por leis sobre propriedade intelectual e transferência de tecnologia”.

O estilo inconfundível da combinação de turbante, colar, brincos e vestido de algodão estampado é uma das características da actual responsável pela organização que funciona como fórum de negociação multilateral para lidar com as regras do comércio global.

MARGRETHE VESTAGER
COMISSÁRIA EUROPEIA PARA A CONCORRÊNCIA

Margrethe Vestager é comissária europeia para a Concorrência desde 2014. Como comissária europeia, Vestager regula a actividade comercial em toda a União Europeia, fazendo dela uma das figuras políticas mais influentes no espaço europeu. A sua autodeterminação está a moldar a forma como a tecnologia é usada em todo o mundo e as maiores empresas de tecnologia internacionais já testemunharam o poder da dinamarquesa.

Desafiou a Google, a Apple e a Amazon e enfrenta qualquer empresa que pense em contornar as regras dos negócios na Europa. Uma das suas decisões mais polémicas foi a exigência à Apple do pagamento de 13 mil milhões de euros em impostos não cobrados na Irlanda, em 2016.

Nasceu em 1968 na Dinamarca, é casada e tem duas filhas. Estudou Ciências Económicas na Universidade de Copenhaga. Foi ministra da Educação da Dinamarca entre 1998 e 2001. Foi líder do seu partido entre 2007 e 2014 e chegou a ministra dos Assuntos Económicos e do Interior em 2011.

COMO COMISSÁRIA EUROPEIA,
VESTAGER REGULA A ACTIVIDADE
COMERCIAL EM TODA A UNIÃO
EUROPEIA, FAZENDO DELA UMA DAS
FIGURAS POLÍTICAS MAIS INFLUENTES
NO ESPAÇO EUROPEU

Vestager tornou-se em poucos anos uma das mais carismáticas figuras políticas do país, tendo conseguido aprovar algumas medidas complicadas, como um duro pacote de poupança na segurança social que incluía a redução do número de anos do subsídio de desemprego. A fama que alcançou nesses anos foi tal que até serviu de inspiração à personagem principal de uma série de televisão.

Como a própria costuma admitir, “na política é preciso tomar decisões difíceis e que estas nunca podem agradar a toda a gente”.

É considerada como a ‘trustbuster’ mais poderosa do mundo rico e apelidada por muitos como a “tax lady”.

KRISTALINA GEORGIEVA 
DIRECTORA-GERAL DO FMI

A economista búlgara Kristalina Georgieva é a primeira pessoa de um país emergente a liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI), transitando do Banco Mundial e substituindo Christine Lagarde no cargo.

Georgieva era a única candidata e beneficiou de uma mudança nos estatutos do FMI relativa ao limite de idade, permitindo que a sua candidatura fosse válida. O seu mandato teve início em Outubro de 2019 e tem uma duração de cinco anos.

Georgieva tem 67 anos e é natural de Sófia, na Bulgária, tendo feito a formação académica em economia e administração. É casada e tem uma filha. Entre 1993 e 2010 desempenhou vários cargos no Banco Mundial, onde assumiu a vice-presidência em Março de 2008 e se destacou, entre várias coisas, pela luta em prol da paridade de género. Desempenhou o cargo de vice-presidente da Comissão Europeia, no mandato de Jean-Claude Juncker, entre 2014 e 2016. Em Setembro de 2016 apresentou-se como candidata apoiada pela chanceler alemã Angela Merkel na corrida à liderança das Nações Unidas.

A GRANDE MISSÃO DA DIRECTORA-
GERAL DO FMI É A RECUPERAÇÃO DA
PANDEMIA, PARA A QUAL APONTA TRÊS
NECESSIDADES: A PRUDÊNCIA NAS POLÍTICAS
ECONÓMICAS E NAS INSTITUIÇÕES, A
SOLIDEZ NO INVESTIMENTO EM PESSOAS
E A CONCENTRAÇÃO NA QUESTÃO DAS
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Kristalina Georgieva recebeu várias distinções, das quais se destacam, em 2010, a nomeação para o “European of the Year” (prémio atribuído para honrar cidadãos Europeus que mais influenciaram a agenda legislativa e política europeia) e “EU commissioner of the Year”, como um reconhecimento pelo seu trabalho, em particular, na sua acção nos desastres humanitários do Haiti e Paquistão.

A líder búlgara assumiu o comando do FMI numa altura em que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China começou a ameaçar o crescimento global. Na altura, conforme referiu, a sua grande prioridade na liderança do FMI era ajudar os países membros a minimizarem o risco de crise e a prepararem-se para enfrentar a desaceleração económica.

Neste momento a grande missão da directora-geral do FMI é a recuperação da pandemia, para a qual aponta três necessidades: a prudência nas políticas económicas e nas instituições, a solidez no investimento em pessoas e a concentração na questão das alterações climáticas.

Primeiras Ministras

METTE FREDERIKSEN 
PRIMEIRA-MINISTRA DA DINAMARCA

Em Junho de 2019, a líder dos sociais-democratas chegou à chefia do governo, tornando-se a mais jovem e a segunda mulher primeira-ministra da história da Dinamarca, depois da também social-democrata Helle Thorning-Schmidt, que governou entre 2011 e 2015.

Natural de Aalborg, na região norte da Dinamarca, Frederiksen tem 43 anos, é casada pela segunda vez e tem dois filhos. Licenciou-se em Administração e Ciências Sociais, na Universidade de Aalborg, em 2007, e dois anos mais tarde tirou o mestrado em Estudos Africanos, na Universidade de Copenhaga.

Além de uma breve passagem pela Confederação dos Sindicatos, Mette Frederiksen fez toda a carreira na política. Filiada ao Partido Social-Democrata, integra o Folketing, o parlamento da Dinamarca, desde 2001, e serviu no governo de Helle Thorning-Schmidt como ministra do Emprego de 2011 a 2014, e como ministra da Justiça de 2014 a 2015. Em 28 de Junho de 2015, sucedeu a Thorning-Schmidt como líder dos social-democratas.

Em 2019 após vencer as eleições legislativas sem maioria absoluta, conseguiu formar governo ao fim de 20 dias de negociações, com o apoio do Partido Popular Socialista, do Partido Social Liberal e da Aliança Vermelha e Verde.

Uma das bandeiras deste governo foi reduzir as emissões de dióxido de carbono em 70% na Dinamarca durante a próxima década.

NICOLA STURGEON 
PRIMEIRA-MINISTRA DA ESCÓCIA

Nicola Sturgeon é primeira-ministra da Escócia desde 2014, sendo a primeira mulher a assumir este cargo desde a criação do parlamento e governos escoceses em 1999, e também líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP).

Formada em Advocacia pela Universidade de Glasgow, é um produto puro da autonomia da Escócia. As suas aspirações políticas surgiram numa idade precoce, juntou-se ao SNP em 1986 quando tinha 16 anos. Em 2004 tornou-se vice primeira-ministra da Escócia no governo de Alex Salmond e foi uma das principais figuras pró-independência no referendo a favor da separação do Reino Unido em 2014. Em Novembro deste ano, Salmond anunciou que renunciaria e Nicola acabou sendo a candidata única para sucedê-lo.

Nicola Sturgeon nasceu em 1970 em Irvine, na Escócia, é casada e não tem filhos.

Numa entrevista dada à BBC News, em Maio de 2017, a primeira ministra escocesa respondeu a algumas curiosidades da sua vida. Quando questionada sobre qual o seu destino de férias preferido, Sturgeon referiu que na Escócia seria Skye e no estrangeiro Portugal.

KAJA KALLAS 
PRIMEIRA-MINISTRA DA ESTÓNIA

Kaja Kallas chegou ao poder em Janeiro deste ano, após a demissão de Juri Ratas que levou ao fim da coligação no poder liderada pelo Partido do Centro. Ao tomar posse como a primeira mulher à frente do governo da Estónia, Kallas não só anunciou a intenção de “reconstruir as relações com os vizinhos e aliados e recuperar a imagem de bom país para investir” como fez questão de sublinhar que com um governo paritário procurou “encontrar o equilíbrio entre homens e mulheres, entre experiência e novidade”.

Neste momento, a Estónia é o único país do mundo a ter uma chefe de governo e uma chefe do Estado eleitas.

Nascida em Talín, na Estónia, Kallas tem 43 anos, é casada e tem três filhos. Formou-se na Universidade de Tartu em 1999 com um bacharelato em Direito. A partir de 2007, frequentou a Escola de Negócios da Estónia, ganhando um EMBA (Executive Master of Business Administration) em Economia em 2010.

A chefe de governo é líder do Partido Reformista desde 2018 e membro do Riigikogu, o parlamento da Estónia, desde 2019 e anteriormente de 2011 a 2014. Também foi Eurodeputada entre 2014 e 2018, representando a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa.

A líder do Partido Reformista é conhecida pelas suas posições pró-europeias.

SANNA MARIN
PRIMEIRA-MINISTRA DA FINLÂNDIA

Quando tomou posse como primeira ministra da Finlândia, em Dezembro de 2019, Sanna Marin foi notícia em todo o mundo, não só por ser mulher, até porque é a terceira a ser eleita para chefiar um executivo do país, mas principalmente por aos 34 anos se tornar na mais jovem chefe de governo do mundo.

Criada no que a própria chama de “família arco-íris” pela mãe e a sua companheira, Marin é casada e tem uma filha.

Ecologista, vegetariana, feminista e defensora de políticas a favor da igualdade são algumas das características desta jovem política.

Licenciou-se em Ciências Administrativas pela Universidade de Tampere, tendo sido a primeira pessoa da família a frequentar uma universidade.

Em 2005 chegou à política. Em 2007 candidata-se, sem sucesso, à Câmara de Tampere. Cinco anos depois, em 2012, venceu. Em 2015 tornou-se deputada, ascendendo nas estruturas do Partido Social Democrata (SDP) até chegar à vice-presidência do partido, em 2017. Foi ministra dos Transportes e Comunicações em 2019, durante seis meses, os mesmos que durou o governo.

KATRÍN JAKOBSDÓTTIR
PRIMEIRA-MINISTRA DA ISLÂNDIA

A Islândia não é excepção nesta tradição de poder no feminino. O país que teve a primeira presidente da Europa e do Mundo, Vigdís Finnbogadóttir em 1980, tem desde 2017 Katrín Jakobsdóttir à frente do governo, a segunda mulher no cargo no país.

Feminista, ambientalista, social-democrata, anti-militarista e com uma agenda fortemente pautada na igualdade de géneros, Katrín nasceu em Reykjavík, capital da Islândia, tem 45 anos, é casada e tem três filhos.

Formou-se pela Universidade da Islândia em 1999, com bacharelado em islandês e francês e em 2004 fez o mestrado em Artes, na mesma Universidade.

Iniciou a carreira política aos 27 anos, tornando-se vice-presidente do Movimento Esquerda-Verde em 2003 e, depois, presidente, cargo que exerceu até à sua eleição como primeira-ministra. Foi Ministra da Educação, Ciência e Cultura entre 2009-2013, onde desenvolveu uma política inovadora destinada a impulsionar a indústria criativa para contrariar os efeitos da crise económica. Entre suas acções, usou o turismo como forma de restabelecer o equilíbrio económico e ajudar a reduzir a taxa de desemprego no país.

Enquanto primeira-ministra foi responsável pela aprovação de um conjunto de leis para reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres, garantir uma representação melhor de mulheres nos altos escalões das empresas e assegurar a licença de maternidade e paternidade compartilhada e paga.

INGRIDA SIMONYTE 
PRIMEIRA-MINISTRA DA LITUÂNIA

A lituana Ingrida Simonyte foi eleita primeira-ministra da Lituânia em Dezembro de 2020, prometendo desde logo colocar mais mulheres em posição de poder nesta ex-república soviética, talvez por ter sucedido a um dos poucos executivos europeus 100% constituído por homens

Com 46 anos, Simonyte formou-se na Universidade de Vilnius, sua terra natal, com uma licenciatura em Administração de Empresas em 1996, tendo posteriormente concluído o mestrado em 1998.

Começou a sua carreira como economista e funcionária pública, trabalhando como chefe da divisão fiscal do Ministério das Finanças até 2004. Em 2009 foi nomeada ministra das Finanças, com a tarefa de estimular a economia da Lituânia após a Grande Recessão, tendo renunciou ao cargo em 2012. Posteriormente foi nomeada vice-presidente do conselho do Banco da Lituânia.

Regressa à política em 2016, concorrendo como candidata independente nas eleições parlamentares, ganhando assento no parlamento. Em 2018, Simonyte anunciou a sua campanha na eleição presidencial de 2019, onde foi derrotada na segunda volta.

Foi reeleita para o parlamento nas eleições de 2020, onde a União Cristã-Democrata Lituana (HU-LCD) conquistou uma pluralidade de assentos.

ERNA SOLBERG
PRIMEIRA-MINISTRA DA NORUEGA

Erna Solberg chegou a primeira-ministra em Outubro de 2013, estando no seu segundo mandato.

É a segunda mulher a liderar um governo norueguês, depois de Gro Harlem Brundtland (que entre 1981 e 1996 cumpriu três mandatos).

Apelidada de “Erna de Ferro” pelo punho firme com que tem liderado o país, é muitas vezes equiparada à britânica Margaret Thatcher, “Dama de Ferro”, que foi a primeira-ministra com o maior período no cargo durante o século XX e a primeira mulher a ocupá-lo.

Com 59 anos, nasceu em Bergen, na Noruega, é casada e tem dois filhos. Licenciou-se em Ciências Políticas e Economia no ano 1986 pela Universidade de Bergen. Durante o seu último ano na Universidade, dirigiu a Liga de Estudantes do Partido Conservador Norueguês da cidade.

Solberg começou jovem a sua carreira e aos 28 anos foi eleita ao parlamento. É líder do Partido Conservador desde 2004, tem equilibrado o conservadorismo fiscal com uma política social humanista, garantindo que: “a igualdade de género é essencial para uma recuperação sustentável” da crise causada pela pandemia de covid-19.

Ex-escuteira e fã de futebol, usa o desporto como diplomacia, sendo hábito levar uma bola para encontros internacionais.

Educação e bem-estar das mulheres em países pobres é uma das bandeiras de Solberg.

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