Sábado, Dezembro 4, 2021

Teremos sempre Paris. 100 anos de participação portuguesa nos Jogos Olímpicos

Miguel Morgado

Paris 2024 marca 100 anos da primeira medalha olímpica portuguesa. A contabilidade do medalheiro português começou em tons de Bronze no Hipismo com quatro cavaleiros, dois civis e dois militares e sai de Tóquio com o recorde de quatro metais preciosos ao peito, duas no atletismo, uma delas de Ouro, no judo e na canoagem. No total, Portugal contabiliza 28 medalhas, sendo 5 de Ouro, 9 de Prata e 14 de Bronze. O Atletismo é rei nas 9 modalidades galardoadas e tem o exclusivo dourado. Depois de dois diplomas na estreia do surf e skate na lista olímpica, o ‘breakdance’ português pode ir dançar a Paris.

Aníbal Borges de Almeida, Luís Cardoso de Menezes, Hélder de Sousa Martins e José Mouzinho de Albuquerque. Foram estes os heróis da equipa portuguesa de hipismo, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Paris de 1924, competição à qual Portugal levou 28 atletas, todos masculinos, 8 modalidades, com destaque para a Esgrima e Tiro mas sem futebol por causa de desentendimentos tidos entre José Ponte, presidente do Comité Olímpico de Portugal e Cândido de Oliveira, que viria a ser seleccionador nacional na estreia da equipa de futebol de Portugal nos Jogos Olímpicos de Amesterdão em 1928.

Dois civis, Borges de Almeida, então com 18 anos e o mais novo de sempre a terminar de medalha ao peito e Cardoso de Menezes e dois militares, Sousa Martins e Mouzinho de Albuquerque, foram os responsáveis pela primeira insígnia olímpica de Portugal conquistada no hipódromo de Colombes, Paris. Um feito alcançado 12 anos após a estreia (Estocolmo 2012) de uma comitiva portuguesa nos Jogos.

Abertura dos Jogos Olímpicos Tóquio 2020

Num gigante salto no tempo, uma pandemia e um ano depois do calendário, a Missão portuguesa em Tóquio 2020, Jogos da XXXII Olimpíada da Era Moderna, evento realizado em 2021, foi constituída por 92 atletas (a 3ª maior comitiva, igualando o número dos JO Rio 2016, mas em número inferior em relação aos Jogos de Barcelona 1992, 101 atletas e Atlanta 1966, com 107), dos quais 36 atletas femininas (recorde), oriundos de 17 modalidades a competir em 67 eventos de medalha, mais sete que no Rio 2016.

A Equipa Portugal regressou do Japão com quatro medalhas. Uma de ouro (triplo salto de Pedro Pablo Pichardo, atleta luso-cubano), uma de prata, de Patrícia Mamona (Atletismo, triplo salto), e duas de bronze, de Jorge Fonseca (Judo, -100 kg) e Fernando Pimenta (Canoagem, K1 1000).

As quatro medalhas olímpicas conquistadas no Japão, o dobro das negociadas no contrato-programa de 18,55 milhões de euros, fizeram de Tóquio 2020 a melhor representação olímpica nacional de sempre. Foram batidos os números de Los Angeles 1984 (ouro de Lopes e prata de Rosa Mota e António Leitão) e de Atenas 2004 (prata para o ciclista Sérgio Paulino e o velocista Francis Obikwelu e bronze de Rui Silva, nos 1500 metros).

Em medalhas, mas não só. Também em diplomas ganhos, incluindo as posições de pódio, num total de 15, mais dois do que foi conseguido em Atenas 2004, o anterior máximo.

Jorge Fonseca e Patrícia Mamona

5 medalhas de ouro em 100 anos de participações. De Paris a Paris

Os Jogos Olímpicos regressam a Paris em 2024. 100 anos depois onde tudo começou para Portugal.

No palmarés olímpico dos metais preciosos, 28 no total, Portugal contabiliza 5 de ouro, 9 de prata e 14 de bronze espalhadas por 9 modalidades.

O atletismo, é Rei no medalheiro: 12 medalhas. E é também aqui que mora a mão cheia de ouro. Pedro Pichardo (2020) e Nélson Évora (2008), no triplo salto, Fernanda Ribeiro (1996), nos 10 mil metros e Rosa Mota (1988) e Carlos Lopes (1984), na maratona, são os únicos atletas, todos do atletismo, a conquistaram o ouro por Portugal.

Aos 37 anos Lopes, em Los Angeles, EUA, foi o primeiro ouro português com o tempo de 2h09m21s, recorde olímpico. O feito mereceu honras de recepção por dois presidentes. Primeiro, num churrasco nos Jardins de São Bento, cumprindo uma promessa feita por Mário Soares, em Agosto, e depois, em Outubro, num encontro marcado com o presidente norte-americano, Ronald Reagan. Viria ainda a ser o primeiro desportista não americano a aparecer na série “Os Simpsons”.

Os homens e mulheres que correm, saltam, atiram discos e pesos, têm a companhia da vela (4), equestre e judo (3). Como curiosidade, registe-se que o último título na vela data de 1996, em Atlanta, (Hugo Rocha e Nuno Barreto na classe 470), o equestre é do tempo da “outra senhora”, nas vésperas da segunda metade do século XX (Londres 1948) e o judo integrou a lista, pela primeira vez, um ano antes da viragem do século (bronze de Nuno Delgado em Sydney 2000).

Neste somatório entram duas na canoagem (Fernando Pimenta e Emanuel Silva, Londres 2012 e Fernando Pimenta, Tóquio 2020), ciclismo (Atenas 2004, Sérgio Paulinho), tiro (Armando Marques, Montreal 1976), triatlo (Vanessa Fernandes, Pequim 2008) e esgrima (Amesterdão 1928, equipa).

Breaking, surf, skate e escalada

Em ano de estreia de quatro modalidades em Tóquio, Gustavo Ribeiro (Skateboarding, street), oitavo lugar e Yolanda Hopkins (Surf, shortboard), 5ª, obtiveram diploma olímpico na estreia também eles, aos 20 e 23 anos respetivamente, nas lides olímpicas.

Pablo Pichardo e Fernando Pimenta

“Falhámos a oportunidade de apurar no karaté e na escalada”, recorda José Manuel Constantino, presidente do COP.

Para Paris 2024, 26 de Julho até 11 de Agosto, seguem viagem os dois desportos de prancha, em terra (skate) e no mar (surf), mantem-se a escala, sai o karaté entra uma nova modalidade dirigida à Geração Z. O breaking, estilo de dança ligado ao hiphop, nascido nos anos 70 do século passado em Nova Iorque.

“Confesso que é uma área que não domino com a suficiente segurança, mas pelo que me é transmitido pelos responsáveis modalidade e da federação de dança desportiva é que há qualidade e resultados internacionais. Vamos aguardar”, diz José Manuel Constantino.

A propósito da renovação de modalidades levada a cabo pelo Comité Olímpico Internacional (COI), o responsável da estrutura olímpica portuguesa opina. “Deve haver uma razão desportiva que explique a inclusão de modalidades e não uma razão que resulte da pressão comercial que os ‘sponsors’ dessas modalidades exercem no mercado desportivo”.

“Tudo o que seja modalidade para conquistar novos públicos é positivo. O skate e surf são espetaculares”, acrescenta. “É bom para o programa olímpico e para as modalidades. Dá-lhes uma montra…temos de estar atentos e ajudar. Os Jogos Olímpicos dão um ‘input’ enorme”, garante.

José Manuel Constantino considera ainda que “se em tese, novas disciplinas fazem sentido, outras, antigas, tem de ser reduzidas”. Cita exemplos. A “esgrima e a natação” devem “manter-se como modalidade olímpica, mas podem reduzir as disciplinas até porque teremos de reduzir umas para entrar outras”. Por outro lado, “há desporto combate, localizadas geograficamente, sem escala global, mas têm lóbis fortes e mantêm-se”, conclui.

A três anos de Paris, desde Los Angeles que Portugal só por uma vez ficou em branco. Foi em 1992 (Barcelona). Desde então, a Missão olímpica regressou sempre com medalhas em cinco olimpíadas seguidas.

100 anos depois da primeira medalha, têm a palavra os atletas portugueses. “Citius, Altius, Fortius”.

HÁ UM DEFICIT DE QUALIFICAÇÃO
TÉCNICA
A QUEM TRABALHA COM A
ÁREA INFANTO JUVENIL ONDE É
INDISPENSÁVEL QUALIFICAR.
OU SE FAZ BOM TRABALHO, OU
NÃO HÁ RESULTADOS.

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