Segunda-feira, Maio 10, 2021

Resiliência, inovação e ambição: o Mercado de capitais e as empresas

Pedro Wilton, Senior Account Manager, Euronext Lisbon

Nada como novas circunstâncias para mostrar como o ser humano e as empresas superam as adversidades. E nada como o mercado de capitais para demonstrar como é possível transformar desafios em oportunidades.

Em primeiro lugar, com RESILIÊNCIA.

Em Março de 2020 as Bolsas mergulharam num curto período de forte volatilidade e de fortíssima liquidez. A reação de todos os agentes, nomeadamente os governos, veio rapidamente conter receios e procurar um paulatino regresso à normalidade.

Muito se falou, há um ano, sobre o fecho dos mercados para colmatar o pânico. No entanto, os factos demonstraram que a evolução da situação tornou desnecessária essa opção extrema: as Bolsas têm mecanismos de segurança para lidar com períodos de turbulência, capazes de circundar os proverbiais cabos das tormentas.

E embora algumas empresas cotadas ainda defrontem desafios sobre o seu futuro, e o desempenho dos vários setores seja desigual neste contexto, de um modo geral as empresas cotadas mostraram capacidade de adaptação e de sobrevivência. Aliás, muitas financiaram-se assim que as bolsas estabilizaram, ainda durante 2020, seja por via de aumentos de capital, seja por refinanciamento de dívida, com destaque para o forte crescimento de dívida sustentável.

Em segundo lugar, com INOVAÇÃO.

O fecho de fronteiras e o distanciamento social, em geral, não inibiu as empresas que buscavam o mercado de capitais como opção estratégica. E se antes as Ofertas Públicas Iniciais – IPOs (Initial Public Offer) em inglês, no original – incluíam ‘roadshows’ onde as equipas de gestão e ‘advisors’ viajavam pelo mundo fora para visitar investidores, em 2020 esses ‘roadshows’ passaram a ser feitos por videochamada. O que se prescindiu em convivialidade ganhou-se em diversidade: em vez de meia dúzia de cidades e de investidores, passou a ser usual falar com dezenas de investidores em todos os fusos horários. A capacidade de organização e adaptação, mais uma vez, foram fulcrais. Exemplo emblemático desta tendência foi a admissão da Pexip em abril de 2020 – curiosamente ela própria uma prestadora de videoconferências, especialmente preparada para esta evolução – que organizou um IPO exclusivamente virtual e com grande sucesso.

Ainda na inovação, destaca-se também a capacidade das empresas se adaptarem à realidade no tempo de execução: onde antes uma operação demoraria semanas, passou a ser possível e crucial executá-la em poucos dias para minimizar riscos e aproveitar oportunidades. Como exemplo, veja-se o IPO da JDE Peet, empresa holandesa de distribuição de cafés e chás, que concluiu o seu IPO em apenas 3 dias – ao invés das usuais 2 a 3 semanas.

Em terceiro lugar, a AMBIÇÃO.

Não esmoreceu e continua viva na cabeça e no coração da classe empresarial. O mundo está hoje simultaneamente mais longínquo (com o afastamento social e geográfico) mas também mais próximo (à distância de um clique e de um écran), potenciando acesso rápido e simples a novos mercados e oportunidades, e alimentando anseios de crescimento e de liderança.

Nos mercados de capitais, esta ambição foi visível no número e diversidade de empresas que trilharam o caminho da admissão em Bolsa. Os exemplos são muitos, e os testemunhos dos CEOs são muitas vezes coincidentes na mensagem: queremos crescer, queremos singrar de forma independente, queremos sobressair dos demais. E, dizem vários, a Bolsa está cá para apoiar a nossa ambição, dos nossos acionistas e dos nossos colaboradores.

Em janeiro de 2021 a Euronext lançou a 6ª edição do TechShare, programa dedicado a empresas tecnológicas que ponderam o mercado de capitais como opção estratégica de crescimento. As 10 empresas desta edição – o número mais elevado em Portugal desde o início do programa – são um excelente e variado exemplo do que referi: histórias de resiliência, de inovação e de ambição à procura de apoio e de oportunidade. Estou certo de que a Cunha Vaz e Associados, parceira da Euronext neste programa, será um parceiro valioso na reflexão destas empresas sobre o seu futuro. E espero encontrá-las em breve a tocar o simbólico sino da Bolsa de Lisboa! 

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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