Quarta-feira, Março 3, 2021

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O Melhor de Nós Está Para Chegar?

Rosália Amorim, Jornalista

Todos os anos fazemos planos e promessas e formulamos desejos e sonhos. Em 2020, ano terrivelmente marcado pela pandemia Covid-19 e pelos seus efeitos brutais na economia e na sociedade, prometemos que seríamos melhores pessoas. Quando assistimos ou participámos de ondas de solidariedade. Quando nos comovemos com as imagens do esforço notável dos profissionais de saúde a tentar salvar cidadãos infetados nos cuidados intensivos dos hospitais, num cenário quase irreal. Quando conhecemos trabalhadores e empresários da cultura, da restauração, do turismo e comércio ou da economia em geral a perder o seu negócio e emprego. Ou quando vamos assistindo, nas ruas e nas estatísticas, ao aumento de novos pobres, sobretudo da chamada pobreza envergonhada.

No início da pandemia, ouvimos cânticos à varanda ou à janela por toda a Europa, batemos palmas a médicos, enfermeiros, auxiliares e a todas as pessoas que estão a dar o seu melhor para salvar vidas, nos hospitais ou nos lares de idosos. Auxiliámos familiares, procurámos respostas às perguntas das crianças e às enormes perplexidades dos jovens. Seguimos as orientações públicas que, em Portugal e em vários países, foram sendo transmitidas para prevenir uma segunda vaga. Acreditámos que, depois disto, seríamos melhores cidadãos, mais solidários, menos egoístas. Alguns de nós acreditaram até que tudo ficaria bem. Na primavera, parecia que a solidariedade, a entreajuda, o civismo tinham vencido a pandemia e o egoísmo.

E veio a segunda vaga, após o verão. E eis que, na viragem do ano, já se fala na terceira vaga, fruto, em grande parte do desconfinamento natalício. À beira da terceira vaga, alguns comportamentos mudaram para pior e nem todos perceberam a importância de seguir normas. Mesmo que, por vezes, não concordássemos com o conteúdo e a forma das comunicações dos governantes, da DGS e de vários especialistas sobre as ações de contenção da pandemia, o dever social e comunitário seria o de tudo fazer para reduzir o número de mortes e de pessoas atingidas por um inimigo invisível.

Muitos de nós já duvidamos que o comportamento social, por efeito da pandemia, tenha melhorado. No início de 2020, prometemos ser melhores enquanto pessoas que vivem em sociedade e que respeitam o Outro. Em 2021, perante o cenário de uma pandemia que continua (apesar da descoberta e progressiva administração da vacina) e de reconstrução da economia, da sociedade e da cultura, temos a missão comunitária de fortalecer o espírito solidário e otimista para vencer. Mas devemos ter a consciência de que será difícil manter a coesão social e o combate pela meritocracia, sem egoísmos, populismos e demagogias. Devemos agir eticamente por uma sociedade mais justa e democrática – mas não cega, nem complacente.

Os desafios do ano 2021 e da terceira década do século XXI, que agora começa, são demasiado importantes. Optemos por construir em vez de destruir. Optemos por fazer criar ou fazer renascer projetos e marcas, como é o caso do Diário de Notícias, o mais antigo jornal nacional de âmbito nacional que tem já 156 anos e que a 29 de dezembro regressou às bancas todos os dias, renovado, reforçado e com uma missão simples e clara: informar com verdade, independência e rigor. Também a revista Prémio está de parabéns pelos seus 18 anos. Atingiu a maioridade e soube resistir às crises dos órgãos de comunicação e às crises económicas durante estas quase duas décadas. Longa vida à Prémio!

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