Sexta-feira, Dezembro 2, 2022

Frente Mar

Joaquim Baptista

A segunda Conferência dos Oceanos da Organização das Nações Unidas vai reunir em Lisboa a comunidade internacional para um conjunto de debates sobre poluição marinha, conservação de ecossistemas ou pesca sustentável.

A segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas (UNOC), realiza-se em Lisboa entre 27 de Junho e 1 de Julho de 2022 e tem como tema geral “Reforçar a acção dos oceanos com base na ciência e na inovação para a implementação do Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14: avaliação, parcerias e soluções”.

Tiago Pitta e Cunha, Membro do conselho de administração e director da comissão executiva da Fundação Oceano Azul | Vencedor do Prémio Pessoa 2021

Mobilizar o apoio global para implementar, criar, conservar e utilizar, de uma forma sustentável, os mares, oceanos e os recursos marinhos é o objectivo deste evento, organizado pelos Governos de Portugal e do Quénia.

Depois de terem agido de forma menos própria sobre as áreas não marinhas do Planeta durante anos, a descoberta das riquezas dos oceanos e do potencial ainda por descobrir levou a que também a sustentabilidade de mares e oceanos se tornasse uma preocupação.

Em conjunto com o Quénia, Portugal organiza esta cimeira que não se realizava desde 2020 e tem particulares responsabilidades na sua condução pois é, como se sabe, detentor de uma zona económica exclusiva várias vezes mais vasta que o seu território. A nível global, nacional, regional e local, a protecção e conservação dos mares e oceanos é vista como o único meio de assegurar e proteger o bem-estar da Humanidade.

Longe vão os tempos em que navegadores portugueses davam a conhecer novos mundos ao velho mundo, em que mercadores e armadas com intuito expansionista cruzavam mares e oceanos, mas deixavam intactos os seus recursos.

A ânsia por liderar a economia do mar, na forma mais primária, tem levado à destruição daquela que é, no Planeta, a última fronteira e, quem sabe, a única capaz de lhe assegurar um futuro sustentável.

Não cabe apenas aos governos e organizações internacionais por eles participadas contribuir para que a vida marinha seja preservada e para que a humanidade possa encontrar “num mundo azul” vem gerido o caminho para a sobrevivência. A participação da sociedade civil é de extrema relevância e é bom recordar que se registaram para participar na Conferência inúmeras organizações não governamentais, instituições académicas, representantes da comunidade científica, do sector privado e de organizações filantrópicas.

É nesta expectativa que deixamos o alerta a todos os leitores. Por Mares nunca dantes navegados demos novos mundos ao velho mundo, trouxemos especiarias da Índia e levámos armas ao Japão, levámos um Rinoceronte à Itália e um Imperador ao Brasil. Vamos agora aproveitar uma frente mar a perder de vista para contribuir para um país e um Planeta sustentáveis (no próximo número os Oceanos serão tema a debater em profundidade).

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