Sexta-feira, Setembro 24, 2021

Editorial: A caminho do amanhã

António Cunha Vaz
António Cunha VazPresidente da CV&A

SEM LIBERDADE NÃO SE VIVE. SOBREVIVE-SE, VEGETA-SE. DEPOIS HÁ OS GRAUS DE LIBERDADE OU, COMO ALGUNS QUISERAM IMPOR-NOS NO PASSADO, AS LIBERDADES. QUE SÃO FORMAS DE NOS PERMITIR TER MEIAS VIDAS. A COMUNICAÇÃO LIVRE É UM GARANTE DE LIBERDADE. COMPREM JORNAIS, SUBSCREVAM OS SITES ONLINE. A PIRATARIA É UM CRIME. TODOS OS SERES HUMANOS TÊM DIREITO A SALÁRIO. OS JORNALISTAS SÃO, PARA QUEM NÃO SAIBA, SERES HUMANOS. NÃO PODEMOS EXIGIR O QUE NÃO DAMOS.

Apenas quinze anos passaram sobre a criação da Cunha Vaz & Associados. E já vivemos tantos e tão enriquecedores momentos. Nesta Prémio, revista em papel reciclado, distribuída em 3.500 exemplares, procuramos levar o leitor a um “passeio”, necessariamente sumário, sobre os acontecimentos e as notícias que marcaram o ano em que “nascemos” mas, sobretudo, quisemos trazer a todos os que nos lerem a opinião de muitos daqueles que connosco percorreram estes anos de alegrias e tristezas, de vitórias e derrotas.

Muitos dos que quiseram acompanhar os nossos primeiros passos continuam connosco. A esses agradecemos duplamente: acreditaram, quando estávamos a iniciar a caminhada e mantêm-se connosco, depois de tanta oferta ter surgido no mercado. E a oferta teve, em alguns casos, origem na CV&A. Daqui saíram a BAN, dirigida pelo Armandino Geraldes, e a ALL comunicação, dirigida pelo José Aguiar e pelo Luís Lemos. Dois filhos que orgulham qualquer um. Desta casa saíram membros de governo, presidentes e administradores de institutos e empresas públicas, membros de gabinetes governamentais, directores-gerais e administradores de empresas de grande dimensão. Em nenhum caso trabalhámos com qualquer deles enquanto estiveram em funções públicas. A ética não existe apenas para a exigirmos a terceiros. Devemos dar o exemplo.

Tudo isto só foi possível de construir com a ajuda de alguns colegas que ainda connosco estão desde o princípio, com outros que se juntaram, mas, também, com uns quantos que saíram. Em especial, entre aqueles que estão sempre presentes, com o David Seromenho, vice-presidente e nosso CEO Brasil há oito anos a que se juntou depois o nosso sócio Luiz Fernando Moraes, com o José Pedro Luís, nosso CEO Moçambique durante quatro anos e que agora regressou para assumir funções de gestão de topo na empresa, com o Ricardo Salvo e com o Francisco de Mendia que, juntamente com o David, são sócios de corpo e alma. Todos os outros, directores, managers ou consultores, dos mais novos aos mais experientes, dão o seu contributo diário para a CV&A de 2033. A todos agradeço.

Francisco de Mendia, Administrador, David Seromenho, V.P. e CEO Brasil, e Ricardo Salvo, Administrador

Mas em lugar de falar só de nós decidimos ocupar a maioria das páginas da Prémio com opiniões de gente que conta. Pedimos a algumas pessoas que sabemos terem uma visão de futuro para o país, independentemente da idade, do sector de actividade ou da forma como quiseram apresentar a sua “visão de futuro”, que nos dissessem como serão Portugal, a Europa e o Mundo em 2033, sob pontos de vista mais conceptuais, filosóficos, políticos, sectoriais…. Quero agradecer a todos e esperar que na próxima revista tenhamos o contributo daqueles que agora não puderam escrever.

A Prémio terá, em 2019, mais números no mercado e, tal como na presente edição, uma versão ‘online’. Na versão em papel deste número de Dezembro alguns artigos serão em duas línguas distintas. Português e Chinês, Português e Espanhol, Português e Inglês, Português e Francês. As razões são fáceis de adivinhar.

O conteúdo da revista é fácil de percorrer. Temos jornalistas a falar de jornalismo e media no futuro, temos jornalistas a fazer a história sucinta de 2003 a 2018, prestando, assim, uma homenagem que entendemos necessária à liberdade de imprensa e ao bom jornalismo. Num tempo tão complicado, num tempo em que simultaneamente vivemos afectos, invejas, delações premiadas, encobrimentos, falsas morais, momentos humanamente dignos, neste tempo impõe–se mais que nunca um jornalismo digno, objectivo, de causas. E é porque temos desse jornalismo que muito está a mudar para melhor. O outro, bem, o outro serve para alimentar os velhos do restelo e os parasitas de sempre que, nada tendo de positivo a dar à sociedade, se limitam a lançar rumores, espalhar calúnias e esfregar as mãos quando vêem quem trabalha e constrói ser apoucado. Apenas aprendem quando a verdade vem à tona. E vem sempre. Essa gente que os nossos escritores de muitos tempos sempre identificaram acaba não sendo gente. Mas existe. Uma minoria ruidosa e ruinosa para quem quer construir um país melhor. É bom que deixemos de lhes alimentar o ego, lendo-os ou replicando as falsidades que escrevem ou dizem.

No sector de actividade em que trabalhamos as coisas não são sempre fáceis. O mercado, já de si diminuto, viu nascer novos actores que tiveram necessidade de deitar mãos à vida aquando da crise que abalou o sector. Algumas empresas de mercado sentiram dificuldades – como a nossa, muito por força do entusiasmo com que abraçámos a economia pujante, pré-crise –, outras ainda as sentem e os clientes nem sempre valorizam os diferentes níveis de serviço, desejosos que estão de apresentar bons números aos accionistas. Lembro-me sempre da velha máxima, que se aplica na íntegra à relação consultor Cliente: se pensa que é caro ter trabalhadores qualificados experimente ter apenas trabalhadores “baratos”. O sector tem culpas claras na matéria. Ninguém se une, ninguém constrói para todos, estão todos preocupados com o fim do mês e atentos à desgraça alheia. Pois, deixá-los estar.

É triste ver o orçamento de cada uma das associações de sector no estrangeiro e o daquela que representa os consultores em comunicação em Portugal. Nós, defendemos um sector forte e com bons ‘players’. O exemplo mais claro é o da tão falada “lei do Lóbi”. Em todos os países evoluídos o lóbi é uma actividade legal, desenvolvida por profissionais habilitados, com códigos de conduta rígidos e sanções duras aplicadas a quem prevarica. Em Portugal quem da lei do lóbi trata não tem noção de quem o pratica na Europa ou nos Estados Unidos, no Canadá ou na Austrália. E vão consultando empresas de publicidade e de design para saber o que opinam. E darão luz a uma lei tonta, ultrapassada, aplicável a dois tipos de agentes de mercado: os que chamam lóbi às chamadas telefónicas que fazem para os secretariados de instituições e figuras gradas levando os clientes a reuniões e cobrando por isso, deixando em aberto a regulação da actividade daqueles que, vindo do passado, não perceberam, ainda, que o tempo é de competência e transparência na acção. Tantos e tantos casos se poderiam elencar de maus serviços e prevaricações. Já melhoraremos a forma de agir e, consequentemente, os serviços a prestar.

Preocupam-nos duas ou três situações nacionais e outras tantas no mundo. O caminho da Europa, com líderes cada vez menos carismáticos e sem referências, as ditaduras camufladas de democracia, sejam elas de inspiração religiosa ou populista, de direita ou de esquerda, que vão nascendo um pouco por todo o lado, as crises humanitárias, migratórias, em especial de crianças e as faltas de políticas dos estados de acolhimento, que defendam estes estados de ameaças comuns ao mundo de hoje mas que aproveitem o que de melhor há nesses seres humanos para, mesmo que egoisticamente, termos mão de obra em países cuja taxa de natalidade não promete um futuro risonho. As realidades estranhas que se vivem desde o EUA à Rússia, da Síria a Myanmar, da Venezuela ao Sudão do Sul – apenas para enumerar alguns países.

Vivemos, durante estes anos, momentos excepcionais de comunicação política, desportiva, comercial, de marketing, institucional e financeira. Produzimos relatórios e contas, relatórios de sustentabilidade, revistas, livros, concebemos marcas, desenhámos campanhas de publicidade, comprámos espaço, enfim, percorremos o caminho todo da comunicação.

Tivemos a sorte de viver na comunicação financeira momentos únicos. A OPA da SONAE sobre a PT, sob a batuta de Paulo Azevedo, coadjuvado por Luís Reis e António Lobo Xavier, a colaboração na EDP, quer no tempo de João Talone, quer no tempo de António Mexia, a luta pela CIMPOR, ao lado de Francisco Lacerda, quando outros queriam apenas vender, sabe-se lá com que propósitos finais, A Mota Engil e o saber de António Mota e Jorge Coelho e, mais tarde, o Gonçalo Moura Martins, a Visabeira, de Fernando Nunes, o BCP de Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal e Carlos Santos Ferreira, a CGD, com Vítor Martins, Carlos Santos Ferreira, Fernando Faria de Oliveira e Paulo Macedo, a Fidelidade, com Jorge Magalhães Correia e, depois, os accionistas da Fosun, que ficaram clientes, outra vez o Francisco Lacerda e a privatização dos CTT,  a privatização da REN, da TAP, da PT/Altice, do Novo Banco, com António Ramalho, umas vezes dos lados de quem ganhou outras daquele de quem perdeu, o início da Baía de Luanda, do Banco Privado Atlântico, do Millennium Angola, mais recentemente a primeira oferta inicial de venda em bolsa (IPO) de Moçambique, com a HCB a protagonizar, enfim, tantas que me esqueci de muitas e peço desculpa por não as recordar. No domínio das fusões e aquisições também estivemos presentes. O Barclays, o Popular e o Banif bem como o Bankinter são clientes que também nos orgulham e que vimos transformar-se e adaptar-se ao futuro.

Na comunicação política, dentro e fora de portas sempre demos cartas. Tivemos desilusões, euforias, sofremos perdas financeiras em alguns casos mas de Cabo Verde à Guiné, do Brasil a Portugal muito contribuímos para campanhas elucidativas e limpas. Outros foram premiados por ter feito jogo sujo. Mas preferimos assim.

Na comunicação desportiva fomos prendados. Do Benfica, de Luís Filipe Vieira, ao Sporting de Godinho Lopes, e ao Sporting de Braga, de António Salvador, da UEFA (Euro 2004 e Liga dos Campeões) à FPF, uma honra assistir à passagem a um modelo de profissionalismo ímpar, liderado por Fernando Gomes e Tiago Craveiro, passando pelo Basquetebol e pelo Rugby, a paixão do Carlos Alberto Amado da Silva, e terminando no Comité Olímpico, brilhantemente dirigido por José Manuel Constantino, colaborámos, com orgulho, desde a fundação da empresa na promoção do desporto amador e profissional.

A comunicação comercial e de marketing trouxe até nós inúmeras marcas e muitas alegrias vividas com a Central de Cervejas, de Alberto da Ponte e Nuno Pinto de Magalhães, a Lactogal, com José Passinhas, a Renova de Paulo Pereira da Silva, a Delta, cujo fundador, Rui Nabeiro, é um símbolo de empreendedorismo que tem descendência à altura, o Lidl, que nos mostrou a distribuição de uma forma moderna e europeia, a Corticeira Amorim, enfim….

Tudo isto para cumprir 15 anos no ano em que se comemora o centenário do fim da primeira Grande Guerra. E, tal como nesta, o fim da tormenta é um prenúncio de Paz e progresso. Vamos a isso!

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