Sexta-feira, Setembro 24, 2021

A CAMINHO DA MATURIDADE

No editorial do ano passado escrevi que tinha valido a pena a caminhada que vimos fazendo.

Repito-o hoje, sem qualquer dúvida. E valeu a pena pelos mesmos protagonistas: os Clientes, os Colaboradores e aqueles que no dia-a-dia ou como não executivos nos acompanham. Este foi o último ano em que nos consideramos em afirmação. Em 2018, início de Junho, atingiremos a maioridade: 15 anos de lutas, com sucessos e insucessos, sem favores de governos, autarquias, empresas públicas e semi-públicas, limpinhos, como poucos se podem afirmar.
Atingir a maioridade cientes de que nos divertimos na adolescência mas, também, de que os erros que sempre se cometem nessa fase da vida devem ser pagos. As ilusões de mercados aparentemente fáceis, mas traiçoeiros, de mercados que cremos abertos, mas são proteccionistas, alguma sensação de injustiça por termos “clientes sérios” quando vemos outros a fazer negócios menos próprios e, sinceramente, a título pessoal, o sacrifício de não poder ser livre para proteger o interesse da empresa contribuíram muito para a maturidade.

Os anos difíceis continuam, embora com dificuldade atenuada graças ao esforço de todos e de cada um de nós, graças ao apoio dos nossos colegas do Brasil e de Moçambique, graças ao apoio dos nossos sócios de Espanha e da Colômbia. A redução significativa da dívida bancária originada pelos desaires que descrevi o ano passado (o GES e os malditos PER, a Ongoing, os mercados em que não se cumprem os contratos e não se paga às empresas estrangeiras e, o pior de tudo, a deslealdade e a má fé de empresas como a Soares da Costa – exemplo vivo de falta de ética empresarial assente no aproveitamento dum sistema judicial que favorece os incumpridores e relapsos), a melhoria da margem e o regresso aos lucros permitem- -nos encarar 2018 com melhores perspectivas. Até 2020, contudo, o tempo será de luta. Fica um profundo agradecimento aos bancos, que têm percebido o esforço que temos feito e têm apoiado a nossa recuperação. Só assim está a ser possível fazer o caminho.

A empresa ainda passará por transformações. Não somos uma empresa de assessoria de imprensa, de comunicação digital, design ou de eventos. Somos uma empresa cada vez mais focada na comunicação institucional, seja ela política ou empresarial, na comunicação financeira, naquilo a que os ingleses tão bem chamam ‘advocacy’, ‘litigation’, ‘public affairs’ e ‘business development advisory’. O que fazemos nas nossas áreas não ‘core’ é feito com tanto profissionalismo como nas de eleição. Quando não podemos ou não sabemos, simplesmente não fazemos ou aconselhamos (subcontratamos) quem faça.
Não temos segundas marcas a trabalhar clientes com possíveis conflitos de interesse. Ou os clientes confiam nas nossas ‘chinese walls’, tal como o fazem quanto a advogados, as ‘big four’ da consultoria/auditoria e as consultoras de estratégia ou, simplesmente, não trabalham connosco. Testas de ferro ou marcas criadas para enganar quem gosta de ser enganado não é o nosso estilo.

O objectivo para o ano de 2018 é a duplicação do resultado líquido depois de impostos face a 2017. Ambicioso, sim, mas possível se incrementarmos o esforço comercial, se controlarmos os custos, se soubermos continuar a dizer não a clientes que não querem dar o justo valor ao nosso trabalho. Estes últimos têm um mercado que, legitimamente, pode oferecer-lhes serviços baratinhos. A todos desejamos boa sorte. Cada um sabe o caminho que trilha.
Uma mensagem de solidariedade aos jornalistas. O mundo do jornalismo está em total transformação. Os empregos são muitas vezes precários, o recurso aos estagiários é excessivo e muitas vezes mal pago ou não pago de todo, há meios com salários e subsídios em atraso, enfim, há uma total falta de respeito por aqueles que são a última fronteira, a linha avançada na defesa da democracia. Seria bom que os empresários dos media descobrissem o modelo de negócio que permitisse fazer renascer o jornalismo e os meios de comunicação social, qualquer que seja o formato que assuma.

E agora, trabalhar até ao dia em que em Junho cumprirmos os quinze anos de vida.

Obrigado a todos.

António Cunha Vaz

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