Segunda-feira, Maio 10, 2021

Automóveis eléctricos são mesmo o futuro? Devo comprar agora?

Há cada vez mais veículos eléctricos à venda, o que faz com que existam cada vez mais dúvidas na mente dos potenciais clientes. Será que os automóveis a bateria são mesmo o futuro? Devo comprar já?

Alfredo Lavrador

Quando os cientistas se puseram de acordo sobre os motivos que aceleraram o aquecimento global, apontando o dedo às emissões de dióxido de carbono, os diferentes países, com a União Europeia à cabeça, decidiram agir. A produção de energia foi condenada a abandonar, a prazo, a queima de carvão e combustíveis fósseis, substituindo-os por fontes renováveis, enquanto aos transportes rodoviários foram impostas metas que obrigam a uma crescente percentagem de automóveis eléctricos no ‘mix’ de novas matrículas, para que estes atinjam 30% a 40% em 2030.

A Comissão Europeia prepara-se para implementar em 2025 uma norma ainda mais restritiva, a Euro 7. Se a directiva for aprovada tal como hoje se conhece, a percentagem de veículos eléctricos em 2030 irá potencialmente duplicar, sendo que já há vários fabricantes que anunciaram não pretendem transaccionar veículos com motores de combustão dentro de 10 anos. Mas vamos às questões que preocupam a maioria dos condutores.

O Dacia Sprint vai agitar o mercado a partir de abril, com um preço próximo dos 17.500 €

Quem deve adquirir um veículo eléctrico?

Para agradar à maioria, os veículos eléctricos devem ter uma oferta variada, preços competitivos, baixos custos de utilização e garantir que a recarga da bateria não é uma experiência pouco prática. No actual nível de evolução, os automóveis eléctricos podem não ser ainda a solução ideal para todos os condutores, mas são uma opção válida para muitos deles.

Os ‘early adopters’, o que inclui todos aqueles que têm um fraquinho pelas novas tecnologias, rapidamente aderiram aos eléctricos, mas para massificar a utilização de modelos exclusivamente alimentados a bateria é necessário que estes sejam também capazes de sensibilizar os clientes mais racionais. Aqueles para quem, se é óptimo poupar o ambiente, é fundamental usufruir de vantagens em termos de custos.

Com uma oferta nacional que, de momento, vai dos 193 mil euros do mais caro dos Porsche Taycan aos cerca de 17.500€ do novo Dacia Spring, que irá surgir em Abril, é possível afirmar que há eléctricos para todos os gostos e bolsas. As vantagens em termos de preço, considerando os incentivos e os benefícios fiscais, sobretudo para as empresas, tornam os eléctricos competitivos face a versões equivalentes a gasolina ou a gasóleo, enquanto os custos de utilização são muito inferiores, sobretudo para quem possa recarregar em casa. Resta o carregamento da bateria, operação ainda morosa – excepto em casos pontuais – e que só não é um problema para quem possa alimentar a bateria em casa, ou então que consiga encontrar um posto livre e a funcionar próximo da sua habitação ou local de trabalho.

Os carros a bateria reduzem os custos?

Deve ser pela carteira que os eléctricos têm de cativar os potenciais clientes, isto se o objectivo é democratizar as vendas, com as vantagens para o ambiente a serem assumidas como um (desejável) bónus. Se considerarmos dois dos pequenos veículos a bateria mais vendidos, como o Renault Zoe ou o Peugeot e-208, é possível percorrer 100 km com 1,5€, carregando em casa à noite com tarifa bi-horária. Dois modelos equivalentes a gasolina, o Clio e o 208, elevam os custos para cerca de 10€, quase sete vezes mais.

À poupança com o combustível há que somar a redução nas despesas de manutenção. Mas é bom ter presente a perda de eficiência das baterias, que podem levar à sua substituição após o fim do período da garantia (em média 8 anos ou 160.000 km). Esta troca é dispendiosa e é mais frequente em baterias menos sofisticadas e, sobretudo, nos veículos que recorrem mais frequentemente a cargas rápidas.

O Tesla Model S Plaid+ é a berlina desportiva mais veloz e com maior autonomia, ao anunciar 322 KMH e 840 KM.

O Porche Taycan Turbo S é o elétrico mais caro do mercado, à venda por 193 mil euros.

Haverá energia para todos?

A capacidade da rede eléctrica alimentar os veículos a bateria, especialmente quando o número de modelos em circulação aumentar, é outro dos “papões” que os defensores dos motores de combustão agitam. Mas na União Europeia ninguém manifestou preocupação a esse respeito.

O que expectável é que os condutores sejam cada vez mais incentivados (com preços mais baixos) a recarregar durante a noite, em que o consumo é menor. E com a capacidade de os veículos fornecerem electricidade à rede com a mesma facilidade com que abastecem, os seus donos vão converter-se em ‘brokers’ de energia, recarregando o carro durante a noite, para depois vender energia à rede durante as horas de pico de consumo, encaixando com isso algum lucro.

Devo comprar já ou é melhor esperar?

Esperar pelo eléctrico ideal é sempre uma opção mas, ao ritmo a que está evoluir a tecnologia, pode ter de aguardar anos. No entanto, há algumas certezas que podem contribuir para uma decisão mais esclarecida. A primeira é que os preços vão baixar. A prova é que vem aí o Dacia Spring, um SUV com um pequeno motor, uma autonomia de 230 km e um preço a rondar 14.000€ após incentivos.

Também a Tesla já prometeu um eléctrico compacto por 25.000€ e a VW deverá ir ainda mais longe com o futuro ID.2, sendo certo que os restantes construtores não vão ficar parados.

O ministro alemão da Economia, Peter Altmeier, o seu homólogo francês Bruno Le Maire e o vice-presidente da Comissão Europeia, Maros Sefcovic, fixaram como meta garantir fábricas de baterias no Velho Continente capazes de alimentar 7 milhões de veículos/ano, o que equivale a 50% da produção do mercado em 2020.

A plataforma MEB do grupo VW promete ser a mais produzida do mercado, pois vai servir quase todas as marcas do grupo.

Partilhe este artigo:

- Advertisement -
- Advertisement -

Artigos recentes | Recent articles

“Sem o esforço dos privados, o Estado Português não teria conseguido fazer frente à pandemia”

Em entrevista à PRÉMIO, José Germano de Sousa, patologista clínico e presidente do Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, falou-nos do seu percurso enquanto médico, passando pelo cargo de Bastonário e do crescimento da sua rede de laboratórios, que se posicionam em termos de análises na área da patologia clínica como o principal ‘player’ nacional do sector, sendo actualmente responsáveis por cerca de 15 a 16% dos testes Covid que se realizam em Portugal.

“Honne to Tatemae”

Sónia Ito, Arqueóloga e Professora

A Corporate Governance no novo mundo multi-stakeholder: realidades e desafios

António Gomes Mota, Professor Catedrático da ISCTE Business School

Mais na Prémio

More at Prémio

- Advertisement -