Segunda-feira, Maio 10, 2021

ARAN – Associação Nacional do Ramo Automóvel

Ana Valado

A PRÉMIO questionou algumas empresas do norte do país envolvidas na temática da Mobilidade Eléctrica e que estão a contribuir em grande medida para o desenvolvimento de cidades eficientes.

Rodrigo Ferreia da Silva,
Presidente da ARAN

No Plano Nacional de Energia e Clima, o Governo ambiciona que, já em 2030, cerca de 30% dos carros sejam eléctricos. Acha possível?

Acho possível o objectivo dos 30% carros eléctricos para 2030, mas mais importante é que o parque como um todo seja mais ecológico, actualmente, 1 em cada 6 carros tem mais de 20 anos. É importante ter objectivos, mas que sejam atingíveis e que até lá chegar sejam criadas etapas intermédias que permitam aos consumidores, às empresas e ao Estado adaptarem-se. É preciso não perder de vista as etapas intermédias e planeá-las.

Não há incentivo para abate de carros mais antigos e compra de novos carros mais amigos do ambiente. Não é preciso ser eléctrico para ser mais ecológico.

Os eléctricos serão uma parte do futuro, mas não o futuro como um todo. Preferia ver planos e objectivos intermédios de um caminho para a descarbonização da economia.

Na sua opinião, a região norte do país está em linha com outras cidades europeias a nível de mobilidade sustentável?

A realidade que melhor conheço é o Grande Porto, que deu um salto quântico, com o Metro do Porto que foi um grande projecto em termos de mobilidade sustentável.

No sector dos automóveis, falta-nos o reforço dos postos de carregamento nos carros eléctricos e outras infraestruturas, como parques de estacionamento para motas e bicicletas, ciclovia. A parte de ‘hardware’ ainda está atrasada.

No que diz respeito à mobilidade sustentável, não é sustentável existirem transportes de serviço urbano com a idade e os níveis de poluição com que muitos deles continuam a circular na estrada.

Há uma grande necessidade da renovação dos parques dos transportes urbanos por questões de segurança e mobilidade. São duas faces da moeda da mobilidade sustentável.

Qual será o futuro dos automóveis?

Não há um futuro só dos automóveis, Haverá vários futuros. No futuro, o consumidor do automóvel terá menos noção de propriedade e mais de utilização, integrada na mobilidade sustentável, assim como produtos e serviços de subscrição automóvel.

Haverá sempre pessoas a comprar carros. Híbridos, eléctricos, hidrogénio serão o desenvolvimento do produto.

Quanto ao futuro dos construtores automóveis haverá fusão e aquisição e grandes plataformas, nas quais vão necessariamente estar integrados operadores de tecnologias de informação. 

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