Sexta-feira, Maio 20, 2022

Açores: efeito espelho

 Joaquim Machado, Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores

Historicamente, em cada eleição legislativa nacional, no círculo eleitoral dos Açores a disputa centra-se na conquista do quinto lugar. Só por três vezes um partido logrou conquistar quatro dos cinco lugares da representação açoriana na Assembleia da República, no caso, sempre o PSD.

A bipolarização assume, assim, tanta ou mais expressão que no conjunto do país, até porque apenas em 1985 o PRD se intrometeu na luta entre social-democratas e socialistas, em detrimento destes.

Outro padrão nestes plebiscitos é o chamado “efeito espelho”, a replicação dos resultados nacionais – raríssimas vezes o partido vencedor no país deixou de eleger a maioria dos deputados do círculo açoriano.

À luz de tais dados, nos Açores, o desfecho do ato eleitoral de 30 de janeiro nada trouxe de surpreendente ou suscetível de uma leitura política com alcance mais profundo e imediato na geografia partidária local. De facto, os eleitores açorianos optaram como os demais portugueses, atribuindo ao PS a vitória e os restantes deputados à Aliança Democrática, a coligação PSD, CDS-PP e PPM que governa a Região Autónoma. A disputa pela liderança do governo da Nação voltou a sobrepor-se à escolha dos seus representantes em Lisboa.

As restantes forças partidárias posicionaram-se em conformidade com os resultados alcançados no país, exceção feita para o Bloco de Esquerda que aqui superou a votação da Iniciativa Liberal. Dito de outro modo, o crescimento eleitoral e a diminuição de votos, à direita e à esquerda, seguiram a dinâmica nacional dos respetivos partidos e nas mesmas proporções.

Só a abstenção (63,3%) destoou significativamente do registo médio do país, como em anteriores sufrágios. A desatualização dos cadernos eleitorais é um dos fatores que concorrem para aquele indicador. O outro, verdadeiramente preocupante, é uma certa indiferença dos eleitores quanto à composição da Assembleia da República e ao Governo que dela emana. Consequência indevida da Autonomia e da proximidade dos órgãos de governo próprio da Região? 

(Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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